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Edição de 02-02-2018
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SECÇÃO: Opinião

UM PAÍS A ENCOLHER

(As estatísticas demográficas prenunciam o nosso definhamento a médio prazo.
Definhamento etário e social.
Estamos a encolher e a envelhecer há muitos anos)

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Não é só o interior que está a definhar. E se por cá as mazelas da desertificação são mais evidentes, o facto é que todo o país se encontra numa descida perigosa no que se refere à demografia.
Por exemplo, há 35 anos o país tinha mais 1 milhão de jovens do que tem hoje (considerando como “jovens”, os menores de 15 anos). Ou seja: em 1981 havia 2.493.763 jovens, e hoje (dados de 2016) há somente 1.451.624. Uma perda catastrófica – digo eu.
Estes números poderão ter uma justificação de peso, pelo seguinte facto: em 1981 a idade média das mulheres para terem o primeiro filho, era aos 23 anos. Hoje é aos 30 anos. E só esta diferença de 7 anos é abissal. Porque, e em termos de média somente, aos 30 já é um pouco tarde para se ser mãe pela primeira vez, razão pela qual talvez, depois, já não se tente o segundo ou o terceiro filho. Aliás, uma das características das sociedades ocidentais é o de as famílias terem cada vez menos filhos. Famílias com dois filhos são poucas, já com três são raras, e daí para cima uma minoria imperceptível.
Os factores para esta primeira gravidez tardia, estão mais do que explicados. O cerco económico, as carreiras, as exigências actuais, impedem ou delegam para segundo plano o acto da maternidade.
As sociedades evoluem, mas questiona-se essa evolução: se não será rápida demais ao ponto de não permitir a perfeita adaptação humana às novas condições, ou se não será demasiado controlada pela tecnologia ao ponto de tornar o ser humano escravo dela.
Pelo mais certo serão as duas, somadas a muitas outras.
E as consequências lógicas de semelhante estado, logo se plasmam no seu antípoda: os idosos. Faltam jovens, aumentam os idosos.
E vejam: em 1981 (ano que escolhemos para referência) havia 1.132.630 idosos (considerando “idosos” aqueles com mais de 65 anos) e hoje temos 2.156.732. Ou seja: uma diferença de 1 milhão de idosos a mais, sendo interessante verificar que nestes 35 anos, o número de jovens que “perdemos” e exactamente igual ao número de idosos que “ganhamos”.
Estes números também são reflexo das mutações bruscas no nosso modo de relacionamento, quer o profissional, quer o social, mas também o afectivo.
Senão, observem (e lá vamos outra vez socorrer-nos da linguagem fria mas exacta, e porque não esclarecedora, dos números).
Em 1960 havia 1 divórcio por cada 100 casamentos. Em 1981 esse número aumentou para 8. Actualmente cifra-se num valor que julgo denunciador de que algo não está bem na relação entre as pessoas, algo se passa na forma como encaram as responsabilidades do casamento, algo não está bem na maturidade com que se deve partir para uma vida em comum: actualmente 70 em cada 100 casamentos acabam no divórcio. Ou seja: 70%. E mesmo comparativamente com sociedades que consideramos mais modernas e civilizacionalmente mais avançadas, como sejam as nórdicas, ou as dos países ricos da Europa central, etc., estes nossos 70% são um exagero que nos coloca no pedestal de sermos o país da Europa com maior percentagem de divórcios.
Só a Dinamarca se aproxima com 68%, a seguir o Luxemburgo com 67%, depois a República Checa com 64% e a Espanha com 62%. Daqui para baixo as percentagens reduzem-se quase para metade, com valores entre os 37% (Eslovénia), passando pela Roménia com 18%, e acabando em Malta, com 13%.
Do que resulta deste nosso descalabro geral, é que estamos a encolher e, consequentemente, a envelhecer.
Esta é, e será, quanto a mim, o nosso grande problema para o futuro. Problema para o qual não vejo previsões de solução, porque não existe uma solução mágica, mas antes uma série de medidas que têm de ser tomadas, e que abrangem todos os sectores da nossa vida pública, política e social.
Portugal não vai acabar, estejamos descansados quanto a isto. Mas que vai andar de bengala, lá isso vai.

Por Francisco Gouveia, Eng.º
gouveiafrancisco@hotmail.com

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