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Edição de 02-02-2018
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SECÇÃO: Opinião

REVOADAS DE PROCESSOS

Posso nem estar certo, mas tenho para mim que aos olhos de alguns dos responsáveis pelas notícias do recanto luso, o país deve andar num verdadeiro e constante sobressalto.
Por isso nem descansam à cata de exclusivos que apressadamente publicam sem filtro e sem equilíbrio.
Quase se pode dizer que não há dia em que nos escaparates ou nos écrans televisivos, em que se não reportem escândalos envolvendo figuras, figurinhas e figurões colocados à mesma rasa, construindo-se a imagem de um país pejados de bandidos.
Ultimamente então as ações são às revoadas. O Ministério Público e mais a polícia andam numa atafona tomados de uma salutar azáfama de descoberta de coisas escondidas por debaixo dos tapetes ou metidas nas gavetas de móveis de sumptuosos escritórios públicos e privados.
Pessoa que chegue a Portugal e comece a olhar em redor, de imediato será tomada pela ideia de que por aqui se está a lavar e a tornar mais branco o quotidiano da Nação. A impunidade já não campeia, pensará o chegado romeiro que de repente se vê no primeiro mundo, ao invés do que eventualmente pensaria.
Esperemos que se não engane para bem de todos nós. Quanto a mim, confesso-me suficientemente cético. Não no que se está a passar no momento, mas no caminho em frente e no ponto de chegada depois de dados os tiros de pólvora seca com estampidos envoltos em polémicas e muito brado.
Nem sequer é o mudar-se alguma coisa para que tudo fique na mesma, como se escreve no romance e no filme muito famoso chamado “O Leopardo”. Não sei se conhecem, mas vale a pena. Recomendo. A gente vê que quem investiga o faz bem, mas depois, as grilhetas amarram os processos ou enrolam-nos em fios que os interesses escudos tecem.
Investigações em curso e averiguações são às revoadas. Temos desde complexas teias de desvios financeiros e de roubalheiras descaradas e infindas, até ao roubo de molhos de salsa em supermercados, passando por investigações na Segurança Social por desvio de cheques.
É obra. Os garbosos investigadores andam num rodopio. Então no contexto que aos clubes de futebol respeita, nem é bom falar. Aquilo não há ponto sem nó nem baliza sem rede furada num mundo em que pontapés e caneladas já não são assunto, e em que a verdade desportiva ao que parece é algo do fora de contexto e sem interesse.
Com alguma dose de otimismo, quase se pode afirmar que em Portugal daqui a pouco não vai ficar pedra sobre pedra. Mas infelizmente a dose é mínima, ao jeito assim de meio comprimido para a gripe. Uns miligramas, e pouco mais.
Diz-nos a nossa lembrança não já de agora, que um repente rebenta um escândalo que mais parece trovoada em maio, quando as havia a sério, mas de imediato tudo se esquece ou tudo se arrasta de apreciação em apreciação até ao desfecho pífio e muito tardio.
Por isso é que se calhar seria melhor que as autoridades arranjassem maneira de não se colocar tudo ao léu ao mais pequeno sopro de vento para não perderem credibilidade por conluio com este ou aquele órgão de comunicação social, e seria excelente que estes por sua vez se não transformassem em arenas onde desbocados esgrimem argumentos a torto e a direito sem pejo e sem educação tantas vezes.
Um país evoluído, não é só o que descobre os crimes de colarinho branco ou de capuz. Será sim, aquele em que os descobre e depois pune ou inocenta no momento exato e as pessoas certas.
Com alma, sem revoadas.

Por Manuel Igreja, Dr.

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