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Edição de 22-09-2017
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Arquivo: Edição de 04-08-2017

SECÇÃO: Opinião

Especulação vergonhosa!

Todos nós temos vindo a assistir à tragédia dos incêndios no nosso país, uns naturais e outros criados por incendiários, o que tem ocasionado uma situação alarmante e uma profunda inquietação, pois acabam por ficar em risco as vidas e os bens pessoais dos moradores dessas aldeias perdidas pelo interior do país, onde ainda existe alguma floresta e a força do homem procura manter.
Constatamos, pelas imagens apresentadas, que nem sempre há o cuidado dos residentes / proprietários em cumprir a lei, mantendo um perímetro de segurança, cortando as árvores chegadas às casas, o que permite a propagação dos fogos. Se houvesse algum terreno desmatado no espaço envolvente às casas e devidamente limpo, certos casos não teriam ocorrido! Uma lição para os portugueses das aldeias e vilas aprenderem. Que tirem as consequentes ilações, isto para além de outros problemas, como o ordenamento florestal.
Neste contexto dramático e catastrófico, com uma parte significativa do país em chamas, marcou-nos, e marca-nos, os mortos de Pedrógão Grande. Marcou alguns, menos certos políticos opositores que estiveram pessimamente, pois fizeram política com a questão das vítimas, mexeram com a memória dos defuntos e com a dor dos que sobreviveram, tudo para aproveitamento político. Não tiveram dignidade, pois fizeram uma campanha mórbida, indigna e imoral, caindo no fundo da imundice, o que nos revolta e enoja!
De igual modo surgiu uma senhora, que se afirmava empresária, a titular das listas, que serviu de fonte para muita gente política e jornalística. Empresas de jornalismo, que deveriam ser sérias, acreditaram em tal senhora, Isabel Monteiro (agora já se calou, pois descobriram que é uma empresária endividada, com algum objetivo escondido, na recolha de bens), criaram todo um padrão de desgraça e polémica, com um fim distinto, combater o Governo.
Ainda não vi que os que acreditaram nessa senhora, com os jornalistas incluídos (os tais jornalistas preguiçosos e ideologicamente orientados), procurassem saber quem era tal pessoa, a investigassem e a responsabilizassem pelos dados fornecidos, pois tinha nomes de pessoas repetidos, afirmando que determinada pessoa vivia numa aldeia e numa outra alterava-lhe um apelido.
Atos baixos e pouco escrupulosos!
Podemos considerar que foi um autêntico tiro no pé para todos esses profanadores, quando a Procuradoria-Geral da República divulgou que a lista dos mortos da tragédia de Pedrógão Grande era de 64! Apesar da confirmação, a notícia é péssima e tristíssima, porquanto foram seres vivos que nos deixaram, alguns ainda crianças, quando tinham toda uma vida pela frente.
A lista de mortos conhecidos, e comprovados, de Pedrógão Grande era de 64, nem mais, nem menos. Eram 64! Foi afirmado isso e confirmado pelo Ministério Público, mas nem todos aceitaram tal. Na classe política houve vozes a gritar que havia mais pessoas falecidas no incêndio e até nas TV’s se reforçava a ideia e questionava a lista conhecida. Sobre tal matéria, os mortos de Pedrógão, numa interpelação ao Presidente do Instituto de Medicina Legal, um jornalista de topo, insistiu que o número correto não era o apresentado, pois havia mais! Uma senhora, que fora atropelada, quando fugia do incêndio, também tinha que ser considerada como falecida, para engrossar a lista. O senhor afirmou que tal consideração era jurídica e nunca da Medicina Legal, pois há seguros a acionar e só judicialmente é que pode ser avaliada e classificada!
Nada disso, o caso teria que ser considerado como os outros e, abusivamente, insistia na afirmação! O que pretenderia esse locutor? Qual o objetivo a alcançar? Estaria a fazer um papel de oposição e a criar auxílio a alguém? Não sei quais os fins dele (nem o nome cito), mas o que sei é que, no dizer de Noam Chomsky, “a imprensa pode causar mais danos que a bomba atómica e deixar cicatrizes no cérebro”.
Alguma da nossa imprensa prestou-se a esse papel vil e sem dignidade humana, chegando a foros de infâmia (bem como certos políticos), pois não tiveram vergonha, nem bom sentido, porque usaram e abusaram de uma desgraça / calamidade para especular e incriminar a “geringonça” e os seus apoiantes. A culpa era do Costa! Devassaram as vidas perdidas e esqueceram os familiares que estavam de luto e os que se viram com os seus bens reduzidos a nada!
O Governo não cumpriu cabalmente a sua obrigação? A Proteção Civil falhou na atuação no combate aos incêndios? Há responsáveis diretos / indiretos nestes incêndios?
Questões prementes que precisam de uma resposta urgente e responsabilizadora, mas quem de direito que o faça e cumpram-se os devidos trâmites, com uma condição, que não seja indefinidamente!
Em tragédias com esta dimensão, muito embora se force a que se descubra quais os responsáveis da calamidade e a indeminização / entrega do fundo dos donativos solidários dos portugueses (o que acho bem e seja em tempo razoável), não pode surgir a guerrilha político-partidária, com o interesse dos votos, porque, assim sendo, é o colapso total da democracia! Ganhem juízo, senhores políticos!

Por Adérito Rodrigues, Prof.

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