O Semanário de Trás-os-Montes e por excelência da Região Demarcada do Douro
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Arquivo: Edição de 16-01-2015

SECÇÃO: Opinião

Universidade do Norte restaura região de Entre Douro e Minho

Dia 9 de Janeiro em curso decorreu no Palácio de Mateus, em Vila Real, uma cimeira universitária que mereceu no JN desse dia, um suplemento especial.
Essa cimeira foi ofuscada pelo mediatismo que os acontecimentos terroristas de Paris provocaram. Mas para quem gosta de andar informado acerca do país e do mundo, valerá a pena refletir no simbolismo desta jornada que visou constituir um consórcio entre as três universidades públicas a norte do Rio Douro: Porto, Minho e Trás os Montes. O grande objetivo unitário desta trilogia académica é ter uma gestão partilhada para poder chegar mais longe. São três polos de ciência viva e ativa. Se conseguir obter análogos resultados, com os mesmos custos, desde que garantam qualidade, inovação e pluralismo, este projeto será saudável, credor do apoio dos contribuintes e da opinião pública que desconfia sempre de organismos novos, quando prometem aquilo que raramente cumprem. Se esses novos organismos acabam por beneficiar terceiros que geram, entre si, a luta pelos cargos e se, com esses cargos, se gasta mais, produzindo menos, a opinião pública cedo se apercebe desse truque e logo advém o advérbio: pior a emenda do que o soneto.
O Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Emídio Gomes, deu o seu aval e, garantindo que este acordo será um exemplo no futuro da Região Norte, declarou no testemunho que assinou no suplemento do JN, que «cada uma das três universidades, vale bastante menos do que o seu conjunto».
Sebastião Feyo de Azevedo, reitor da Universidade do Porto, António Cunha, reitor da Universidade do Minho e António Fontainhas Fernandes, reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, deram as mãos por este projeto comum que poderá ser um bom exemplo para o futuro da região que nos primórdios da nacionalidade portuguesa era conhecida por de Entre Douro e Minho. Foi este o espaço que em 868 foi confiado a Vímara Peres, conde Galego, pelos bons serviços prestados ao Reino da Galiza, na luta contra os gentios. Em 1071, na Batalha do Pedroso, o rei Garcia venceu o Nuno Mendes, que governava o Condado Portucalense. Este foi derrotado e morto. E aquele que fora (entre 868 e 1071) o primeiro Condado Portucalense, foi reintegrado no Reino da Galiza. Só em 1096, Afonso VI que governava aquele Reino, devolveu o Condado Portucalense a sua filha D. Teresa, como dote de casamento, com o Conde D. Henrique. É a partir desses condes, na pessoa do Filho, Afonso Henriques que Portugal se emancipa da Galiza e, em 1131, o próprio príncipe transfere a sede de Guimarães para Coimbra.
A história repete-se 884 anos depois, reagrupando a região de Entre Douro e Minho, no paradigma jurídico de Unorte.pt. Os números falam por si, na hora do arranque: 56 571 alunos, dispersos por 614 cursos que ocupam 3.696 professores e 2.592 funcionários. A realidade numérica de 62.799 pessoas tem um peso considerável, sendo que pela sua ocupação na valência do ensino superior, pode prodigalizar-se em múltiplos e insondáveis sucessos.
Desta parceria, firmada e confirmada na Capital de Trás-os-Montes, pelo Primeiro Ministro dependerá o futuro não só da Unorte, mas de todas os sectores agro - pecuários que constituem a galinha dos ovos de ouro, de um espaço cujo solo nunca foi capazmente aproveitado. O fantástico vinho do Porto não encontra rival planetário. As muitas e importantes barragens produzem das economias mais sólidas do país. Se os rios Douro, Cávado, Rabagão, Tâmega, Tua e seus afluentes garantem milhões à economia nacional, também os montes, as serras e encostas, bruscamente pejadas de eólicas, reforçam essa riqueza infinda que não tem paralelo em qualquer outra região do todo nacional. A força intrínseca desta trilogia científica deverá medir-se também e sobretudo pela capacidade pedagógica de mostrar e demonstrar às gentes de Trás-os-Montes e Alto Douro que elas não se situam longe do poder real que sempre foi o poder político. Sempre foi o poder político que exorbitou das suas competências e comodidades egoístas, optando pelo prazer urbano, pelo ócio e pela fruição de mistérios que o próprio poder gera à sombra do seu deslumbramento.
Só o desprezo social e político pode explicar o grau de atraso em que se encontra a mais distante «Província» portuguesa. Esse desprezo sistemático é responsável pelo despovoamento das esmagadora maioria das povoações. Quem podia trabalhar e produzir riqueza desandou, por descrença e falta de esperança. Hoje são os filhos e os netos que impedem o seu regresso. Restam medidas cautelares que não deixem partir os poucos jovens que entretanto nasceram e espreitam uma oportunidade para ficar. Essa sensibilização caberá à Unorte.pt, como primeiro objetivo.
Por Barroso da Fonte, Dr.

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