O Semanário de Trás-os-Montes e por excelência da Região Demarcada do Douro
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Edição de 02-02-2018
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Arquivo: Edição de 12-04-2013

SECÇÃO: Opinião

Rio abaixo! Rio acima!

Região cada vez mais dividida

A decisão de se criar uma nova Comunidade Intermunicipal em Trás-os-Montes, já foi aqui criticada como uma manobra divisionária, e que só tem como objectivo a criação de mais postos dirigentes que alberguem outros tantos políticos. A realidade é esta e mais nenhuma. Mais gastos e menos verbas é o que espera Trás-os-Montes ao ficar separado por duas CIMs: a agora constituída do Alto Tâmega, e que abarcará os concelhos de Montalegre, Chaves, Boticas, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Valpaços, e o que resta da anterior Terras de Trás-os-Montes (Alfandega da Fé Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais).
O processo não está a ser pacífico, pois ainda há quem não concorde.
Os concelhos transmontanos são financeiramente muito débeis, e padecem cada vez mais das maleitas que estão a destruir o tecido social do interior, com a desertificação em topos nunca dantes vistos.
A região precisa de unidade. Não precisa deste tipo de divisões que só servem aos que se vão sentar nas cadeiras das chefias. Tudo isto é um contra-senso que a região transmontana vai pagar caro.
Ainda recentemente as freguesias sofreram um abalo com a Lei Relvas a exterminar um número significativo delas, mas parece que, cá dentro, há quem consiga fazer pior.
Uma lástima, um crime – digo eu.

Parque Natural do Vale do Tua? Mas qual Vale?

A reunião dos sete municípios envolvidos na criação do Parque Natural do Vale do Tua, sucedâneo encontrado à pressa para justificar o alagamento e a destruição definitiva do Vale do Tua, não se percebe.
Não se percebe porque não tem justificação como é que se pode criar um Parque Natural do Vale do Tua, se vão destruir o Vale. E como pode ser natural se tudo o que vão colocar no suposto espaço destinado a fazer de conta que é um vale, é tudo menos natural.
Ressalta ainda triste, no meio de uma tristeza maior que é o desaparecimento de parte do território duriense, é que não haja uma voz discordante a nível municipal, no meio disto tudo. Os senhores autarcas comem e calam, numa cumplicidade desrespeitosa, como se o Vale fosse deles e dele pudessem dispor como entendem.
É preciso que percebam que há cidadãos neste país que se sentem roubados, que sentem que a Pátria se está a encolher por culpa de quem devia, e para tal foi eleito, defender o território, e não delapidá-lo.

Túnel muito sujo

Finalmente uma resolução sobre o Túnel do Marão. Com a decisão do Governo em tomar posse administrativa da obra, chega ao fim um processo que é um exemplo dos mais negativos do que nunca deve ser uma Parceria Público Privada. Chega ao fim é uma maneira de dizer, porque o processo vai prosseguir nos Tribunais.
Vai ser necessária uma nova adjudicação da obra (desta vez espera-se que com transparência) e, para já, o custo da conclusão do túnel está orçado em 200 milhões de Euros. Feitas as contas, o túnel vai ficar por um balúrdio, um escândalo que nos envergonha. Desde o início que esta PPP distribuiu abonados proventos a todos os que participaram nesta grande farsa, com a agravante da obra não se ter concluído.
Há ainda o problema de que este novo financiamento terá de se candidatar ao QREN, pelo que o tempo de conclusão da obra, vem longe.
O processo do Túnel do Marão é daqueles casos que devia ser investigado como um caso de polícia, mas como os interesses privados são de gente com poder, e anda o PS e o PSD metido no negócio através de insuspeitas figuras que todos os dias nos aparecem nas TVs a baterem com a mão no peito, o caso vai ficar por aqui. As custas ao Estado desta ruinosa PPP, ainda vão no adro.

Douro à chinesa não resiste às chuvadas

Há muitas derrocadas no Douro resultantes das chuvadas intensas que têm caído fortes e intermitentes, sobre a região e o país. Os prejuízos são bastantes e quem os sofre tem que pensar seriamente na vida. Contudo, e como se previa há muito, grande parte dessas derrocadas, que a imprensa tem tratado como “queda de muros”, não são mais do que aluimentos de terras provenientes dos taludes que proliferam por este Douro. Taludes sem protecção dos tradicionais muros de pedra ou xisto. Porque esses, se bem conservados, não caem, venham lá as enxurradas que vierem. Porque são construídos como suportes firmes, com escoamentos e salvaguardas para estas situações de emergência meteorológica. Quem é mais velho sabe muito bem que eram raros, muito raros mesmo, os casos de derrocada de muros no Douro. Havia sim, aluimento de terras mal suportadas. Como é o caso dos taludes onde o simples peso da água entranhada na terra é suficiente para os fazer deslizar.
Por outro lado, e como já por variadíssimas vezes aqui alertei, na construção destes taludes tem havido uma falta de respeito pelas linhas de escoamento natural das águas, e pela construção de vias alternativas de escoamento pluvial. O resultado está á vista: os taludes cederam, como deviam ceder.
Aprende-se pouco neste Douro, e deixa-se cada um fazer o que muito bem entende. As Leis, pelo seu lado, são para inglês ver.

ARHN: faltam-vos dados sobre a poluição no Douro

O relatório recentemente divulgado pela ARHN (Administração da Região Hidrográfica do Norte) sobre a poluição no Douro, e que aponta as suas causas para “a grande concentração urbana no litoral, a agricultura intensiva, azotos e fosfatos excessivos” (isto do lado espanhol que acaba por desaguar cá), e a vitivinicultura duriense com os excessos de nitratos de fósforo que acabam por chegar ao rio, constituindo, de facto razões importantes e decisivas sobre a qualidade da água na bacia do Douro, pecam por defeito. Isto porque há factos recentes (ou relativamente recentes) que têm vindo a contribuir para a poluição do rio, nomeadamente o turismo fluvial, e o já excessivo número de embarcações (especialmente embarcações antigas) que opera no Douro.
Para além do aumento da densidade das águas com os resíduos de combustíveis e óleos, acrescenta-se os dejectos das actividades normais da hotelaria e sanitária dos barcos em causa.
Um estudo aprofundado sobre este assunto que, muito brevemente, constituirá um problema que o Douro terá de resolver, estará sempre incompleto se não considerar esta vertente.

Onde andam os Planos de Seca?

Numa altura em que tem chovido a cântaros, e a região observa o rio Douro todos os dias com o receio habitual das cheias, até parece ilógico falar de seca.
Mas é bom que nos lembremos de duas coisas: primeiro, é nestas alturas de “fartura” de água que se devem estudar as fontes de fornecimento das mesmas quando elas faltarem. A segunda, é porque parece que toda a gente se esqueceu da seca violenta de 2005.
Por estas e por outras, era bom que as autarquias criassem os seus planos de municipais de seca, para que, quando os estios nos fustigarem e a água andar à míngua, haver soluções estudadas e programadas, em vez da habitual corrida aos tanques, protagonizados pelos do costume: os bombeiros.
E parece incrível que, de todas as trezentas e muitas autarquias do país, somente 4 (quatro!) possuam planos de seca.
Entre elas está a de Vila Pouca de Aguiar que, como aqui tenho regularmente referido, se tem mostrado adiantada relativamente às restantes, não só por esta iniciativa mas também por outras que aqui tenho noticiado.
Há várias formas, metodologias e iniciativas capazes de suavizarem outro flagelo de sentido oposto ao que agora vivemos: a seca, a falta de água. Seria bom que, numa altura em que ela é demais, as autarquias se lembrassem de quando ela é de menos ou nem sequer há.

Autárquicas pedagógicas

Pode dizer-se que tem sido em águas mornas que se têm apresentado as candidaturas às autárquicas deste ano.
Os candidatos lá vão aparecendo, quase sempre sem grande alarido (e ainda bem), mas também quase sempre sem nada de novo.
Percebe-se: vão prometer o quê, se as autarquias mal têm meios para as despesas do dia a dia?
Assim, candidato que apareça a prometer obras a torto e a direito, ou é tolo ou não é de cá. De facto, dinheiro é coisa que não há. E sem dinheiro não há betão nem asfalto. O que é um problema, porque durante as últimas décadas se confundiu a gestão municipal com uma empresa de construção civil. E há tanta coisa a fazer que não necessita de dinheiro!
Eu iria mais longe e diria que, agora, é que se vai ver quem são os grandes autarcas deste país. Porque governar com os cofres cheios, qualquer um o faz.
Pode ser que, nestas circunstâncias, as autarquias se debrucem sobre assuntos de interesse mais elevado, como seja o ambiente, a educação, a promoção social, a protecção social, a energia e as formas de as obter, e por aí adiante.
Se algo se pode esperar das próximas campanhas eleitorais, é que elas sejam pedagógicas, e que elevem o discurso para níveis mais elevados do que a construção civil.
A ver vamos.

Por Francisco Gouveia, Eng.º
gouveiafrancisco@hotmail.com

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