O Semanário de Trás-os-Montes e por excelência da Região Demarcada do Douro
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Arquivo: Edição de 22-06-2012

SECÇÃO: Opinião

Asnos são aqueles que nos consideram burros

A operação pretensamente cosmética que a TDT, (televisão digital terrestre), em conivência com a ANACOM, implantou no território Português em 2012, a última operação das quais ocorreu em 26 de Abril, foi a mais cruel, mais hedionda e repugnante decapitação dos poucos direitos democráticos de que os cidadãos marginalizados de Trás-os-Montes e Ato Douro ainda dispunham desde a década de sessenta.
Foi exactamente em 1960 que a minha aldeia (Codeçoso), onde nasce o Rio Rabagão, teve o privilégio de estrear a televisão. Foi pioneiro o então vereador da Câmara de Montalegre e, até à sua morte, em 2008, Manuel António Pereira, mais conhecido pelo Manuel Carriço, que teve a coragem de tomar a dianteira em todo o concelho. Lembro-me que mal essa povoação teve luz eléctrica, ele aproveitou esse facto para adquirir e facultar às pessoas da aldeia e das redondezas, um equipamento televisivo que nunca mais deixou de funcionar. Eram os próprios residentes da sede do concelho que ali se deslocavam nas noites de serão para verem as telenovelas, filmes, desporto e noticias que esse veiculo transmitia. Cada pessoa que ali fosse sentir os sortilégios desse bem público pagava 0$50 para ajudar ao pagamento da taxa e consumo de luz.
Volvidos 52 anos, eis que as Terras de Barroso regrediram meio século, subtraindo-lhes os engravatados «copinhos de leite» da burguesia mais saloia, um dos poucos, mas de certeza, o mais delicado benefício que velhos e novos da mais desertificada região do país, usufruía. Pior: essa arbitrária, despótica e traiçoeira decapitação consuetudinária, foi um golpe baixo, uma armadilha subversiva, uma perfídia terrorista que além de criminosa, representou um roubo de igreja.
Não tinha eu ido a Barroso desde que a TDT ordenou esse roubo público. Aconteceu que fui lá dia 2 do corrente para participar no Encontro de Escritores e Jornalistas promovido pelo Fórum Galaico-Transmontano e patrocinado pela Câmara Municipal de Montalegre. Se foi uma jornada cultural de aplaudir pelo muito que de bom e de instrutivo ali se viu e ouviu, já no regresso à casa que ali me acolhe nos fins de semana e férias de verão, me entristeceu e perturbou até à raiz dos cabelos. Coincidia esse fim de tarde com o jogo de preparação da selecção nacional com a Turquia. Esse povoado que, em 1939 quando nasci, tinha cerca de 650 habitantes e que agora está reduzido a cerca de uma centena, deambulava pela rua como cão escorraçado pelo dono. Só meia dúzia de residentes repôs o investimento destruído por esses malvados engravatadinhos que aparecem na televisão a gabar-se de que a mudança foi um êxito. Se nessa noite, esses que nos trataram como se fôssemos doentes mentais aparecessem por ali, seriam corridos a toque de caixa, para não dizer à estadulhada que é a sentença mais usual na região, contra aqueles que fazem de nós uns parvos. Esses paquidermes tratam os transmontanos e beirões como espécie de palhaços ou burros de carga que aguentam todas as patifarias com fé de procissão, como escreveu Miguel Torga. Burros são eles e nunca os cidadãos da «província» cuja paciência tem limites.
Há pouco mais de um ano um semanário nacional chamava «parolos» àqueles que desciam do povoado, aportavam em Lisboa e, de repente, apareciam ministros, directores gerais e assessores bem instalados. Nesta tribuna disse ao director desse semanário que assinava a nojenta peça que limpasse o rabo ao papel que sujou com esses escarros. Deixei de ler esse Semanário porque, pela aragem se via quem ia na carruagem.
Esta patifaria social que os petulantes da TDT e da ANACOM perpetraram contra os cidadãos que de um momento para o outro se viram por eles espoliados de um bem que pagam nas facturas de electricidade e que investiram nos televisores e antenas para que pudessem usufruir dos sortilégios que os citadinos não perderam, terão que indemnizar os lesados pelos danos morais e materiais. Cada lar que ficou privado de televisão sem que tivesse contribuído para tal, perdeu uma companhia fiel que vinha desde o Estado Novo. Há pessoas isoladas, doentes, acamadas, cuja única companhia era a presença dos quatro canais. O Ministério Público, a Ministra da Justiça, os Órgãos de soberania deveriam repercutir a voz naqueles a quem confiaram o voto. As Câmaras já reagiram e bem. Mas os deputados, os governantes, o Provedor de Justiça, têm o dever de impor ordem na desordem que esses péssimos gestores criaram aos indefesos telespectadores espoliados. O signatário viu-se grego para que entre 2 e 4 de Junho voltasse a ter televisão. Pagou 210 euros e fez diversas viagens à procura de técnicos e de equipamento. E nada que se compare a imagem que resultou desta embrulhada que os «xico-espertos» da TDT e da ANACOM, armadilharam aos burros do interior do país. Pensaram que nos calariam como se calam moscas caídas na sopa. Os emigrantes que já devem andar desvairados com as notícias dos efeitos da crise, quando chegarem às suas residências de férias e derem com esta rasteira de mau gosto, vão tomar decisões de força. Talvez alguns advogados da região mais sensíveis a estes abusos de poder, dos mais fortes contra os mais fracos, devam estar preparados para processarem as entidades responsáveis por estas verdadeiras traições contra os indefesos.
Por Barroso da Fonte, Dr.

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