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Arquivo: Edição de 25-05-2012

SECÇÃO: Opinião

A Salazar, o que é de Salazar

Há dias, estando eu a pingar com sono e a minha televisão a falar para o boneco, ainda consegui interpretar nas palavras que a pivô de serviço dum canal de televisão, não sei a que propósito, uma meia frase, mais ou menos assim constituída: «Salazar tomou o poder com mão de ferro e poder absoluto».

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É talvez por estas e por outras, que muitas vezes a Comunicação Social, no fim de relatar determinados episódios, apoiando-se na versão de um dos lados, remata a história dizendo que a outra parte não quis prestar declarações. Porque será?
Depois da revolução do 28 de Maio de 1926, (cujo objectivo era salvar o País da banca rota a que a República e as lutas pelo poder o conduziram), quem primeiro assumiu o cargo de primeiro-ministro, foi um dos membros da revolução, o oficial da Marinha senhor José Mendes Cabeçadas Júnior, por ordem do então presidente da República, senhor general Manuel de Oliveira Gomes da Costa, (ao que parece o cérebro da revolução). Por seu turno, Mendes Cabeçadas convidou Salazar a assumir o ministério das Finanças.
Por desentendimento com Gomes da Costa, Mendes Cabeçadas demitiu-se e Salazar regressou a Coimbra, para continuar a exercer a profissão de que mais gostava que era a de professor de Economia.
Entretanto, o general Gomes da Costa como presidente da República tomou algumas medidas contraditórias que descontentaram os meios militares, pelo que foi preso, obrigado a demitir-se e a embarcar para Angra do Heroísmo, nos Açores onde foi colocado com residência fixa
A seguirem 1928, candidatou-se à presidência da República o general António Óscar Fragoso Carmona, único candidato, eleito com 700.000 votos.
O então eleito presidente da República, encarregou o general José Vicente de Freitas de formar Governo, tendo este, por sua vez, convidado de novo António de Oliveira Salazar, a assumir novamente a pasta das Finanças.
Salazar que, como ele próprio referiu, para além do dever patriótico de servir o seu País e o seu povo, estaria com certeza tão interessado em meter-se na política, como quebrar uma perna, e só aceitou formar Governo, mediante as condições a seguir enumeradas:
«1º - o direito de fixar para cada Ministério a dotação máxima dos respectivos serviços;
2º - Exame prévio às iniciativas governamentais com repercussão nas receitas ou despesas;
3º - Direito de veto a todo o aumento de despesas; intervenção em qualquer medida referente às receitas ou despesas».
As condições foram aceites, pois, caso o não fossem como ele já um dia o havia dito havia todos os dias um comboio que passava em Santa Comba Dão.
No acto de posse, o novo ministro afirmou ainda: «Estes princípios rígidos, que vão orientar o trabalho comum, mostram uma vontade decidida de regularizar por uma vez a nossa vida financeira e com ela a vida económica nacional. De balde, porém, se esperariam milagres por efeito de uma varinha mágica se o País não estivesse disposto a todos os sacrifícios necessários e a acompanhar-me, com confiança na minha inteligência e na minha honestidade; confiança absoluta, mas serena, calma sem entusiasmos exagerados nem desânimos depressivos. Eu orientarei sobre o caminho que penso trilhar; ele continuará tendo ao seu dispor todos os elementos necessários ao juízo da situação. Sei muito bem o que quero e para onde vou; mas que se me não exija que chegue ao fim em poucos meses».
Quem é que hoje, de entre os políticos que se acotovelam nas listas de espera, se arrisca a impor condições para assumir qualquer cargo governamental? O que é preciso, é que o povo vá na onda; depois de lá estar, como eles costumam dizer, se verá.
Um dia, Salazar escreveu: «Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia, não tenho que enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente.
Salazar terá cometido muitos erros, mas também teve muitas virtudes. Escamoteiem as virtudes . mas não lhe atribuam defeiros que não teve.
A uma escritora francesa, Salazar confessou: - Não é absurda a vida que eu levo? Dizem que não gosto da vida. A realidade é outra: eu não gosto da minha vida. Julga que não sou sensível às alegrias simples que são permitidas aos outros? Julga que não gostaria de ter criado um lar? Que não desejaria dormir sem preocupações, livre das mil coisas mesquinhas que são o preço de toda a obra governativa, quando se lhe fica sujeito durante dezenas de anos?
A Salazar, o que é de Salazar

Por JOsé Oliveira Guerra, 13-05-12

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