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Não fui à guerra colonial!
Não fui à guerra colonial, não senhor. O 25 de Abril, revolução de cravos e de sonhos, interrompeu o encontro marcado com África. Deste modo, não conheço o significado de um patrulhamento apeado nas picadas; a importância de uma ração de combate; o barulho aflitivo de uma rajada por cima da cabeça; a angústia de um ataque ao aquartelamento e a comoção de saudar camaradas mortos em combate. Não brinquei com as crianças locais; não tive madrinha de guerra e não saboreei os apurados petiscos africanos. Não amei mulher africana. Não receei os animais selvagens e não posei, para a posteridade, com nenhum macaquinho traquina. Não fui ferido numa emboscada, nem morto em combate e, por isso, não recebi honras militares. Não senti os beijos e os abraços, de familiares e amigos, no regresso a casa com a sensação de dever cumprido. Estas palavras comovidas servem, apenas, para homenagear os combatentes que deram meses de vida ou a própria vida, naquele tempo já longínquo, em prol de uma causa. Valeu a pena?
Por António Manuel Silva Alves, Prof.
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