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Edição de 12-09-2014
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Arquivo: Edição de 20-04-2012

SECÇÃO: Opinião

Uma revolta profunda . . .

Quem vai escrevendo, periodicamente, nos jornais, acaba por ter situações embaraçosas, que o obrigam a mudar o rumo da crónica que tinha elaborado ou que estava em preparação.
Foi o que me aconteceu, neste fim de semana! Tinha o rascunho preparado para determinado tema (não se pode deixar para a última hora a elaboração do texto), mas um programa televisivo, no canal SIC, afirmemo-lo) , veio alterar todo o esquema mental que tinha arquitetado. Falavam sobre o ensino superior e as desistências que ocorriam diariamente.
Não era pretensão minha aflorar o tema, até porque o mesmo já tinha sido versado pelo Eng. Francisco Gouveia, na sua coluna semanal, mas a desilusão e angústia que me causou tal notícia, leva-me a deixar transbordar esta revolta social.
Para meu espanto, e dos meus caros leitores (suponho eu), 100 alunos universitários desistem dos estudos, em média, num só dia, sendo que a causa da desistência prende-se com o poder económico. Fiquei revoltado com toda esta situação e com os mentores de tal sequência, pois tudo isso se deve à falta de apoios sociais que o Estado assegura. Este facto não é só heroicidade deste governo, também tem o cunho do executivo anterior, pela mão de Mariano Gago, com o corte nas bolsas aos estudantes universitários.
Estou à vontade para falar, porque nunca senti que bafejassem os meus filhos com as bolsas, contudo sinto a revolta e a desilusão daqueles jovens que se veem obrigados a abandonar um curso, por falta de recursos económicos. Não será obrigação do Estado garantir a permanência dum estudante na Universidade, sabendo-se das suas parcas condições económicas?
Ser filho de pobre será fator de exclusão, de discriminação, neste Portugal democrático?
Trago dois dos casos apresentados e julgo que representam todos os outros.
Na 1ª situação apresentaram-nos um jovem cuja mãe tinha o incumprimento num pagamento, o que implicava estar em dívida, logo, o filho não podia ser bolseiro, o que quer dizer que tinha que ter dinheiro para estudar ou, caso contrário, a desistência seria o único caminho. Se a mãe não tem capacidade financeira para pagar a dívida que lhe exigem, como vai arranjar dinheiro para pagar os estudos do filho?
O 2º caso que trago à ribalta, prende-se com uma aluna com os dois pais empregados, mas cujos vencimentos não permitem pagar casa, propinas, livros e alimentação. Perante tal situação, a jovem rapariga, solicitou a bolsa, a fim de lhe cobrirem os encargos excedentes às posses da família. As expetativas esvaneceram-se, quando lhe saiu o resultado da atribuição das bolsas. Não tinha direito a qualquer apoio para poder continuar a estudar e, perante isso, via-se obrigada a desistir.
Não são só estes os dois casos que a SIC nos apresentou, referi estes dois, apenas, como meros exemplos, porque comprovam que neste Abril Democrático muito mudou e está a mudar. Esperemos por mais algum tempo e, se calhar, ainda irão requalificar ou arranjar um Tarrafal. Esta atitude negligente do Estado (não apoiar os alunos de recursos mais baixos), reporta-me aos tempos anteriores ao 25 de Abril, onde só os grupos de elite podiam estudar. Os alunos carenciados sentiam enormes dificuldades para prosseguir estudos e só um grupo, muito diminuto, de alunos conseguia continuar o seu rumo académico. Por esse facto, muitas “inteligências” ficaram perdidas por este país, atendendo ao regime de então, que não valorizava as pessoas pelas suas capacidades intelectuais, mas sim pelas suas posses económicas. Sendo a educação uma questão que diz respeito a toda uma comunidade – ao Estado, às instituições, aos professores, às famílias e aos alunos – não é coerente que o 1º responsável pela mesma (o Estado) se demita, faltando com os apoios necessários.
Se o processo democrático veio criar uma ruptura no consenso sobre a educação, aceitando a diversidade própria duma sociedade multicultural, extinguindo uma educação de elite (que só privilegiava as classes sociais mais favorecidas) e dinamizando um sistema de ensino de massas (que criou alguns choques e mudanças sociais), por que querem retornar à antiga paisagem social escolar?
Deram-se transformações sociais, políticas e económicas, que apesar de poderem ter sido excessivas, em certos casos, tendiam a uma equidade social, que os tempos vindouros auguram como impossíveis ou impraticáveis. Que estes governantes, com as exigências das estatísticas, não venham a lamentar o passado traçado, pois, como dizia Jean-Jacques Rousseau, "uma sociedade só é democrática quando: - ninguém for tão rico que possa comprar alguém; - ninguém for tão pobre que tenha de se vender a alguém”. Esperemos que consigam ajustar as velas da governação, mesmo não mudando a direção do vento, para que possa prevalecer o interesse do Zé Povão.

Por Adérito Rodrigues, Prof.

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