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Arquivo: Edição de 05-03-2010

SECÇÃO: Autarquias

Lamego presta duplo tributo a Joaquim Sarmento

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O intenso percurso de vida marcado pelos mais diversos exemplos de cidadania, nomeadamente pelos lugares públicos e políticos que ocupou, e o apreço pela sua considerável e excelente obra cultural e literária fundamentaram a atribuição do mais elevado galardão do Município de Lamego – a Medalha de Ouro da Cidade – a Joaquim Sarmento, passando deste modo a integrar a ilustre plêiade dos Cidadãos Honorários de Lamego.Antigo deputado à Assembleia da República, de 1995 a 2002, e antigo vice-presidente da autarquia, Joaquim Sarmento foi também agraciado com a primeira edição do Prémio de Mérito Cultural, instituído pela Câmara Municipal de Lamego, justificado “pelo alcance e excelência da sua notável obra, mas também como acto de inteira justiça”.
Rodeado de amigos, familiares e admiradores, o autor recebeu estes dois galardões durante uma homenagem pública que decorreu na noite de 23 de Fevereiro, no Teatro Ribeiro Conceição. Autarcas, autoridades civis e militares, o Bispo de Lamego, D. Jacinto Botelho, e a Directora Regional da Cultura do Norte, Paula Silva, em representação da Ministra da Cultura, também quiseram associar-se a este acto público.
O tributo a Joaquim Sarmento, “seguramente uma das mais destacadas personalidades de Lamego, que possui um património humano e cultural que não nos cansa de valorizar, dando corpo e alma ao nosso devir enquanto comunidade”, coincidiu com a comemoração do segundo aniversário da reabertura do Teatro Ribeiro Conceição/ Teatro Municipal de Lamego, uma sala de espectáculos condizente com os pergaminhos históricos desta cidade que abriu pela primeira vez ao público a 2 de Fevereiro de 1929. Francisco Lopes, Presidente da autarquia, mostra-se satisfeito com o impacto que este equipamento já alcançou na vida cultural da cidade e da região: “Após duas décadas de interregno, orgulhamo-nos por devolver aos lamecenses uma das suas mais valiosas jóias culturais e patrimoniais. Oferecemos um cartaz de espectáculos de inegável qualidade e variedade, com a preocupação final de criar e fidelizar novos públicos para este ambicioso projecto cultural”. A celebrar o segundo aniversário da “segunda vida” do Teatro estiveram centenas de pessoas que viram passar pelo palco o grupo Artelier de Rua, os fadistas Emídio Rodrigues e Helena Sarmento. Tal como no início do século XX, o brilho e as luzes tomaram conta desta casa.
“Um estímulo precioso para continuar a escrever”
Mas o papel principal da noite pertenceu a Joaquim Sarmento. A alegria e o contentamento do autor d’ O Crime de Cerejeiro e Revolução de António e Oriana era visível no seu olhar. “Não vou esquecer esta noite, pelo que ela representou de afirmação do nosso Douro, da nossa cidade de Lamego, nem este Prémio e esta Medalha que me enchem de júbilo e constituem um estímulo precioso para continuar a escrever e lutar contra tantas vicissitudes que não apagam contudo o meu amor à vida, nem a minha resistência de corredor de fundo que sempre fui e continuo a ser”, confessa.
A sua intervenção foi recheada de inúmeras referências à sua obra literária e aos escritores que o seduziram em diferentes fases da sua vida. E deixou um conselho, sobretudo aos jovens: “É preciso ler muito e ler sobretudo nos livros. A Internet está longe de ser modelar a esse título”. A sua “luz de Damasco” literária deu-se com a leitura de Vergílio Ferreira que o deslumbrou com a obra Para Sempre: “Foi e é o meu grande mestre. Não foi só o estilo literário, a sua escrita carregada de preocupações e interrogações humanistas que me suscitaram uma grande atracção, foi o seu pensamento político e ideológico traduzidos numa profunda e extensa obra diarística e ensaística que também li e me influenciaram enormemente”.
A terminar a sua intervenção, Joaquim Sarmento, 58 anos, dedicou os dois galardões que recebeu do Município de Lamego “à memória de meus pais e à memória dos cidadãos honorários, já falecidos, e que foram meus amigos, Dr. Cordeiro Laranjo, Monsenhor Ilídio Fernandes, Dr. Fernando Amaral e mais três amigos. Um que me transporta para Lamego dos meus sonhos de adolescente, o saudoso Dr. António Pintado, padrinho da minha filha Laura, Rui Valadares, com quem partilhei uma parte do meu percurso político e cívico, padrinho da minha filha Luísa, e um amigo que trabalhou comigo na autarquia e que tinha sempre um sorriso nos lábios, o jovem Luís Jerónimo”. No final, o homenageado prometeu continuar a “namorar” a vida e manifestou um desejo: ver a sua peça As Folhas de Limoeiro representada no Teatro Ribeiro Conceição.

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