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Edição de 18-07-2014
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Arquivo: Edição de 30-11-2007

SECÇÃO: Entrevistas

CAVES SANTA MARTA

Francisco Teixeira, seu gestor, fala do passado virado para o futuro com entusiasmo e inteira confiança.

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O Notícias do Douro foi entrevistar o actual Gerente das Caves Santa Marta, Francisco Teixeira, 49 anos de idade, natural de Vila Real, no sentido de conseguir averiguar, entre outras coisas, como é que as Caves Santa Marta se transformaram na maior Cooperativa do Douro, como consegue vender tanto vinho engarrafado e em bag-in-box (sendo a actual n.º 1 em vendas), em que pilares estratégicos assentam o Marketing e as Vendas, para que Países exporta os seus produtos e como está a “saúde financeira” daquela Cooperativa.
Entre outras coisas, tentamos também saber como aconteceu todo o moroso, mas honroso, processo de Certificação de Qualidade da APCER e como estão as Caves de Santa Marta a preparar o futuro dos seus associados, tendo em mente a tão apregoada Reforma da OCM. Houve ainda tempo para falar do lançamento dos Vinhos Novos e da Festa do Vinho Novo que se quer afirmar como a Grande Festa do Vinho Novo do Douro. Numa amistosa conversa, apurámos a necessidade cabal que o Douro tem de se unir para vender, citando já exemplos concretos e esboçamos um cenário que, talvez, deixe antever como se processará a «Concentração» das Cooperativas, em que as que estão melhor terão de “puxar a reboque”, também por necessidade de satisfazer o Mercado, as outras Cooperativas que estão menos bem.
No fim de tudo, do Douro olhou-se para o Alentejo e concluiu-se que eles, em matéria de vendas, avançaram mais rápido porque, humildemente, falam “a uma só voz” e, no Douro, é como que se cada um falasse por si! Caberá, então, às Instituições Durienses o papel principal para unir este nosso Douro!

N.D. - Ao longos destes 24 anos, tem estado nas Caves de Santa Marta sempre na qualidade de Gerente, ou começou por exercer outro tipo de funções tendo, depois, conquistado a confiança das sucessivas direcções?

F.T. - Gostava de corrigir o facto de não ser o gerente das Caves de Santa Marta há 24 anos. Comecei a trabalhar nas Caves de Santa Marta há 24 anos como Director dos Serviços Administrativos e na qualidade de Gerente, desde 1991 até à presente data.

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N.D. - Trace-nos um breve historial desse período, isto é, desde 1991, até então. Diga-nos, por exemplo, quais os maiores desafios que marcam, decididamente, este período de gerência, bem como algumas das cruciais decisões que teve de tomar.

F.T. - Relativamente ao período em questão, devo dizer que foram anos de uma experiência inesquecível. O ano da viragem, que marcou (por assim dizer) toda a orientação estratégica das Caves de Santa Marta, deu-se no início do ano de 1990. Coincidiu com a crise do Vinho do Porto. Ao mesmo tempo, começaram a aparecer no mercado toda uma diversidade de vinhos do Douro que, até então, eram praticamente inexistentes. Refiro-me, aos vinhos do Douro “DOC” e Regionais Duriense que, até então, não tinham visibilidade no mercado. O crescimento da distribuição moderna, na qual nos identificamos desde o seu nascimento, e a internacionalização, foi um dos maiores desafios.
Desde essa altura, que as Caves Santa Marta desenvolveram uma estratégia que permitiu “penetrar” no mercado com outra dinâmica, não apenas no mercado nacional, mas também no mercado internacional e é, hoje, a maior Adega do Douro. As Caves de Santa Marta têm uma facturação de cerca de 16 milhões de euros, fruto das políticas de índole comercial que implementamos desde sempre.

N.D. - Vamos, certamente, abordar os níveis de facturação e os índices das vendas mais adiante. Para já, perguntava-lhe quais as principais diferenças que destaca da gestão em vigor à data da sua entrada e as diferenças de hoje. Por outras palavras, em que situação estavam as finanças de Santa Marta e como estão hoje? Como evoluiu o volume das vendas?

F.T. - Bom, como se deve imaginar, se recuarmos no tempo 24 anos, damos conta de que o “estado de sítio” das Caves de Santa Marta, na época, era forçosamente diferente daquilo que é hoje! Embora – e gostaria de realçar este ponto – as Caves Santa Marta sempre se tenha pautado por uma conduta, ao nível de Mercado, completamente diferente da grande maioria das Adegas Cooperativas do Douro e sempre apostou muito na área comercial, que é aquela à qual estou mais ligado e com a qual mais me identifico. A nível comercial, o percurso iniciou-se com os vinhos regionais durienses e DOC´s-Douro. Já nessa altura não vendíamos vinhos a “granel”! As vendas sempre se processaram, praticamente, através da colocação no Mercado de vinhos com marca própria. Nos Vinhos do Porto, fomos a primeira Adega Cooperativa a exportar directamente do Douro e a primeira a ver aprovado um Porto Vintage (1998) e hoje fazem parte do nosso portfolio 5 Vintages sendo o mais recente de 2004.A restante produção é vendida a granel às casas exportadoras de Gaia.Todos estes anos foram sempre muito dinâmicos, evolutivos e motivantes, uma vez que as Caves Santa Marta sempre tiveram, em virtude das opções das Direcções que a orientaram, uma Filosofia «diferente» de estar no Mercado.

N.D. - Como é que os dirigentes daquela Cooperativa encaram a realidade duriense, se tivermos em linha de conta que as outras Cooperativas não conseguem vender com tanta facilidade os seus vinhos, vendendo-os (e quantas vezes o fazem) a “granel” e as Caves Santa Marta, todos os anos, conseguem escoar os seus produtos, sentindo necessidade (até) de comprar litragens para garantirem o abastecimento do mercado e maximizarem a satisfação dos clientes? Isto resulta de quê? De uma aposta estratégica de Marketing, do estabelecimento de parcerias com outras entidades em mercados internacionais? Explique.
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F.T. - Podemos dizer que tal facto é verdade e que se deve, antes de mais, a uma planificação exigente, assente na aprovação maioritária dos associados em Assembleia Geral, e a uma estratégia de mercado em que qualidade dos nossos produtos é o factor principal. Esse plano é pensado, trabalhado diariamente e a prova reside no facto de, no dia-a-dia, os diversos departamentos reunirem com a Direcção, é um trabalho de equipa. A Direcção das Caves de Santa Marta sempre teve um “peso” muito grande junto dos seus quadros técnicos. Esta terá sido, talvez, outra das apostas que permitiu diferenciar as Caves de Santa Marta das outras Adegas. É que, desde sempre, a Direcção tem delegado e exigido dos seus quadros técnicos o que tem dado bons resultados.Mas, todo este “caminho” percorrido tem imposto, da parte de todos os trabalhadores e dirigentes das Caves de Santa Marta, muito trabalho, muito esforço e muita dedicação. Isto sempre foi uma causa abraçada por todos e que a todos motivou.

N.D. - Vinhos vendidos, dinheiro em caixa. É assim, ou não? Os sócios têm recebido atempadamente os valores que paguem as suas produções e que premeie o esforço da sua labuta vinícola?

F.T. - As Caves Santa Marta, à imagem de outras empresas, fez avultados investimentos em novas tecnologias mas mantêm o mesmo sistema de pagamento faseado aos seus associados . Isto acontece não só no Douro, como em todas as outras Cooperativas do País e no estrangeiro, bem como, com outros produtores e empresas comerciais que sentem necessidade de comprar uvas.
Relativamente às Caves de Santa Marta, o que posso afirmar é que temos os financiamentos em dia. Vamos, pagar em Dezembro um dos financiamentos, relativamente à última colheita. Depois, em Março, acabamos de liquidar a colheita. Sempre foi assim... isto já se faz assim ao longo destes 24 anos...

N.D. - E qual será o valor, por pipa, que irão pagar aos sócios?

F.T. - Neste momento, não posso responder a essa questão com precisão. Refira-se que a “campanha” termina a 31 de Dezembro. Só depois, feitas as contas dessa “campanha” é que nos é possível determinar, com rigor, qual o valor a pagar por pipa.

N.D. - Gostaria que as Caves Santa Marta fossem, a curto-prazo, uma referência badalada na “boca do povo” como a Cooperativa que, na Região Duriense, paga melhor os vinhos? É um objectivo que têm em mente?

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F.T. - No tocante aos pagamento, neste momento, já somos a Adega do Douro, que melhor liquida aos seus associados tendo em conta os prazos por nós assumidos e pelos quais nos regemos. É evidente que gostaríamos de remunerar muito melhor os nossos associados e assim proporcionar -lhes um maior rendimento. Porém, é conveniente ter em linha de conta que tudo isto depende de factores múltiplos. É preciso não esquecer que o País está em crise, a agricultura está em crise, a própria economia mundial está em crise e tudo isto tem reflexos, às vezes profundos, aos mais variados níveis. Assim, estamos na presença de várias variáveis que incondicionalmente interagem entre si formando uma teia. Enquanto a economia nacional não recuperar e começar a crescer, é muito difícil que as Caves Santa Marta consigam que os resultados sejam melhores. Até porque, neste momento, o consumidor tem pouco dinheiro, vai à procura de preços acessíveis, de acordo com o seu orçamento familiar e qualquer variação que haja no preço final, mesmo de um cêntimo que seja, pode ser crucial para o crescimento, ou para a descida, das vendas. É por tudo isto, imperioso que se esteja, constantemente, atento(s) ao Mercado. Ainda no transacto dia 19 de Novembro estivemos a analisar os resultados da quinzena e mantivemos o crescimento de cerca de 10%, em relação ao ano anterior. Somos líderes de Mercado no «Bag-in-Box» e, praticamente, toda a produção da colheita de 2007 já está comprometida, quando estamos de partida para um novo ano!

N.D. - E a quebra de produção deste ano, não afecta o abastecimento do Mercado?

F.T. - Relativamente a esse aspecto, se nós já tínhamos dificuldades em abastecer os nossos clientes, com a quebra verificada na produção da colheita, essa dificuldade aumentou ainda mais. Isto porque, neste momento, a procura é superior à oferta de que nós dispomos.

N.D. - Ora, se a procura do mercado é grande e a oferta de Vinhos, apesar da litragem ser muita, não consegue ser suficiente, permita-me depreender um ligeiro aumento de preço. Se o mercado consome é porque reconhece qualidade e essa qualidade merece ser paga, ou não é assim?

F.T. - No que respeita a aumentar, ou não, os preços no Mercado o que posso dizer é que nos encontramos numa fase de negociação com os nosso clientes. Mas é preciso agir com algum cuidado! E porquê? Como bem disse, o Mercado quer os nossos produtos e eles são vendáveis, de facto. Mas é preciso que façamos esta pergunta: o Mercado aceita que preço? Portanto, relativamente a este aspecto, é preciso agir com serenidade e de forma cuidada, ponderando muitos factores. Gostávamos de poder vender mais caro para conseguirmos pagar muito melhor aos nossos associados, porque o nosso objectivo principal é esse. Esse deve ser sempre o objectivo que norteia qualquer gerente e direcção! É preciso pagar bem aos sócios, porque só conseguimos fidelizar a massa associativa se eles sentirem que o seu esforço é compensado, para que tal aconteça, a componente financeira é fundamental.No que respeita à subida dos preços, estou em crer que vai existir, é provocada por ter existido quebra ao nível da produção e à subida constante dos factores de produção.

N.D. - Qual é a escala de recepção/produção de vinhos das Caves Santa Marta? Qual o volume de dinheiro que movimentam todos os anos no Mercado?

F.T. - O nosso volume de vendas é de cerca de 16 milhões de euros. É esta a facturação anual das Caves Santa Marta. Os valores têm-se cifrado à volta desta quantia, desde há alguns anos a esta parte. De referir que este ano também caminhamos neste sentido.

N.D. – E ao nível de passivo, de endividamento e de financiamento à Banca, em que “pé estão as coisas”. Diga-nos como está a saúde financeira das Caves Santa Marta.

F.T. – Neste momento a situação é estável. Está equilibrada… De realçar que fizemos uma recuperação de 2005 para 2006, recuperação essa que encontrou continuidade na transacção de 2006 para 2007. Os resultados provisórios são animadores. Iremos abordar o que se passou em 2004 e 2005, dado que foram anos que afectaram, de sobremaneira, a economia da Região. No entanto, conseguimos recuperar, continuamos a trilhar caminhos de recuperação económica/financeira e julgo que os resultados deste ano ainda irão ser melhores do que os do ano transacto.

N.D. – Gostaria que me dissesse, na qualidade de Gerente, qual é a noção que tem do Cooperativismo no Douro? O panorama é mau, ou enquanto Gerente considera que é ainda possível fazer-se mais e recuperar algumas Adegas e (re)avivar este Douro? Como considera possível o estado asfixiante de algumas Cooperativas?

F.T. – Penso, primeiro que tudo, que as pessoas têm que “olhar para o Douro”, porque este, em termos económicos, está a crescer. Reparemos: relativamente à venda dos vinhos, estou ciente que estes vinhos vão ter, cada vez mais um lugar de destaque no Mercado e reafirmar o seu posicionamento. Nota-se uma crescente procura e há necessidade de todos sabermos aproveitar essa situação seja através de acordos comerciais, seja através de outro tipo de acordos… Quanto ao estado das Cooperativas, o que eu penso de tudo isso é que há no Douro algumas Cooperativas que com a crescente procura do mercado e consequente escoamento, vão ter necessidade de adquirir vinhos a outras ou outrem, com a finalidade de satisfazerem os seus clientes. E é precisamente neste ponto que eu julgo que irão entrar os tais acordos comerciais de que falo. E esses acordos poderão acontecer entre Cooperativas, no sentido de que a «marca» que mais vende ou a «marca» que se encontra melhor implementada no Mercado, seja aquela que leve as outras “a reboque”.

N.D. – Que rumo poderá e deverá seguir este nosso Douro?

F.T. – Acho que está na altura de “o Douro dar as mãos” e congregar esforços, com vista à obtenção de finalidades e objectivos comerciais comuns.

N.D. – Pode-se, então, depreender que vê a «Concentração das Cooperativas» como inevitável?

F.T. – É óbvio que essa “Concentração” entre Cooperativas é inevitável e vai acabar por se verificar. O que não posso aventar é se será uma “Concentração” por «Fusão de Cooperativas», se uma “Concentração” por «Acordos Comerciais entre Cooperativas». Esta última possibilidade é aquela em que encontro mais viabilidade e que, julgo, irá acontecer a curto-prazo, porque as Cooperativas que têm mais dinâmica vão ter que “puxar” as outras, até porque vão sentir essa necessidade.

N.D. – Recordo-me de, em tempos idos, ver a publicidade das Caves Santa Marta no Ciclismo, nos estádios de futebol e julgo que tais apostas de publicidade são estratégias que escasseiam em outras Cooperativas. Não sei se partilha desta opinião e se considera, ainda, que falta às Cooperativas do Douro uma estratégia de Comunicação e Marketing? Sente isso?

F.T. – Sim, claro. Sinto isso. Acho que é deveras importante ter uma estratégia! Mas não pode ser uma estratégia isolada, que apenas sirva alguns… Terá de se pensar numa estratégia abrangente, ao nível da Região do Douro. Os Organismos desta Região tem é que levar por diante uma campanha para os Vinhos do Douro e Porto. É que, mesmo ao nível dos Vinhos do Porto, não se vêm campanhas para que se consuma Vinho do Porto. Um slogan, por exemplo, que incentive o consumo de Vinho do Porto, etc. Outro exemplo que me espanta é que, quando nos deslocamos aos mais diversos Restaurantes da Região, vemos poucas garrafas de Vinho do Porto. Deveria acontecer precisamente o contrário! Acho que deveria ser obrigatório!!! Um cálice de boas vindas e um de voltem sempre.

N.D. – Falava-me, atrás, de diversos Organismos. Na sua opinião, deveriam ser as Organizações do Douro (Casa do Douro, ADVID, IVDP, UNIDOURO, etc) a concertar estratégias para bem do Douro, para promover o seu desenvolvimento. Mas como, se não se entendem, pergunto eu?

F.T. – Sim, deveria caber precisamente às nossas Organizações, em conjunto, a tarefa de elaborarem um Plano de Marketing, para promover o Douro.
Quanto ao facto de não se entenderem… Bem, têm forçosamente de se entender! Reparemos numa coisa – e acho que toda a gente se apercebe disso: as «Marcas» Alentejanas falam a “uma única voz”! a uma única voz… E nós, aqui no Douro, falamos a 5 ou 6 vozes, cada um por si…!

N.D. – É preciso mudar essa mentalidade?!

F.T. – Sim, claro que é preciso mudar essa forma de pensar e de agir. Nós temos os bons exemplos e só precisamos de os saber aproveitar. Temos de caminhar todos num só sentido, porque o Douro tem um potencial enorme e é uma Região conhecida no mundo inteiro… Nós temos tudo! Falta-nos, apenas e só, essa dinâmica de Pactos.

N.D. – E, por falarmos em bons exemplos, vem mesmo a calhar falar da recente Certificação da APCER às Caves Santa Marta e da recente Festa do Vinho Novo. Como é que encarou estes dois momentos, tão singulares da existência daquela Cooperativa?

F.T. – A Certificação do Sistema de Gestão da Qualidade em conformidade com a Norma NP EN ISSO 9001:2000,foi um longo processo pelo qual todos, sem excepção, batalhamos. Só para ter uma ideia do quão difícil é obter tal desígnio, posso informar que demoramos quatro anos a certificar-nos. E esses quatro anos foram anos de mudança de mentalidades nos próprios colaboradores das Caves Santa Marta. Foi também uma mudança de procedimentos e de comportamentos já estabelecidos.
Gostaria de sublinhar a necessidade de que se revestia nós conseguirmos a Certificação de Qualidade. Neste momento, estamos em tudo o que é “Grande Distribuição”, temos 30 Agentes de Distribuição, a nível nacional e estamos em quase 20 países. Agora reparemos no seguinte: uma empresa ou uma Cooperativa que não garanta ao distribuidor e/ou consumidor a qualidade do seu produto é uma empresa que tem os dias contados! Em Portugal estas situações ainda são pouco notadas, embora já comece a haver, por parte da “Grande Distribuição” algum controle. Mas, já ao nível internacional, quando se concorre ao abastecimento de uma “Grande Distribuição”, se não se estiver «Certificado», fica-se excluído à partida! Portanto, como já disse, este processo de Certificação exigiu que todos nós “vestíssemos a camisola” e que conseguíssemos concretizar, agora, esse sonho, essa ambição.

N.D. – Dizia o poeta que “o sonho comanda a vida” e eu afirmo que esse “sonho” acarreta inúmeras vantagens e acarreta responsabilidades acrescidas. Estão cientes de que assim é, ou não?

F.T. – Traz-nos, sem dúvida, vantagens, porque nos permite garantir ao nosso cliente que o produto que está a consumir é um produto de qualidade, que é um produto controlado, cujo controlo se rege por normas internacionais. Por outro lado, (Caves Santa Marta, Colaboradores, Funcionários e Dirigentes) dá-nos um valor acrescido de responsabilidade e de profissionalismo no desempenho da nossa actividade.

N.D. – Mais recentemente, no transacto dia 10 de Novembro, as Caves Santa Marta deram início àquilo que se propõe ser a Grande Festa do Vinho Novo na Região do Douro, tendo mostrado ao público os vinhos da Colheita de 2007, devidamente engarrafados e rotulados (prontos a serem comercializados), também com a mesma qualidade da APCER – porque é obrigatório – poucos dias após ter terminado a labuta das vindimas. Como analisa essa estratégia?

F.T. – Em termos de Marketing, consideramos que com toda a dinâmica que o Douro possui, temos que aproveitar essa mesma dinâmica e trabalha-la diferenciando-nos no Mercado em termos de actuação. Prova dessa actuação temos a «Festa do Vinho Novo». Na nossa Região, a prova dos vinhos novos sempre ocorreu pelo S. Martinho e esta ideia tem vindo a ser falada desde há alguns anos, mas só agora foi posta em prática. Este ano começou aquilo que achamos que poderá ser o início de uma «Grande Festa». Logicamente que isto não se faz de um dia para o outro. Quando refere que tudo tem que ser feito com a mesma qualidade, isso é verdade. Por isso mesmo possuímos um Gabinete de Protecção Integrada, que controla in loco a produção dos nossos associados; temos estudos da maturação das uvas, com um historial com mais de 10 anos, o que nos permite (através dos nossos técnicos) saber qual o estado de maturação que as uvas têm. Há, contudo, outros aspectos a ter em conta: cada vez mais, a vindima está a começar mais cedo. Antigamente, há 24 anos atrás, a vindima começava em Outubro, hoje, as vindimas começam no início de Setembro e com as novas tecnologias que já possuímos, permite-nos fazer esses vinhos com outra facilidade e qualidade! Isto é sinal que estamos preparados para o lançamento dos Vinhos Novos, como é o caso do “Valdarante 2007” e “Rosé” 2007. Mais: penso até que poderíamos antecipar essa apresentação, mas a Lei só permite que os comercializemos a partir do dia 16 de Novembro.

N.D. – Quer dizer que os consumidores já podem adquirir e provar a excelência desses vinhos?

F.T. – Sim, os consumidores já podem adquirir esses vinhos para consumo. Aliás, recomendam-se.

N.D. – E como é que as Caves Santa Marta olham para a reforma da OCM, isto é, para a Reforma do Vinho que Bruxelas quer impor às Regiões produtoras de Vinhos e que vai, inevitavelmente, afectar o Douro?

F.T. – No Douro, depois de todos estes aspectos já abordados, iremos sentir pouco esse efeito da Reforma da OCM. Os agricultores continuam a cuidar das suas vinhas, reconvertendo-as e apostando em castas de qualidade e cada vez mais estão preparados para enfrentar essa realidade.

N.D. – Mas se vier a suceder que ocorra a «Liberalização do Plantio» e o fim do «Benefício» toda a gente plantará o quer, mas o vinho será barato! Depois não haverá “Cartões de Benefício” e, sem «Benefício» e com a Pipa de vinho de consumo a rondar os 150 Euros ou, talvez, até menos, os lavradores não conseguirão subsistir…! Ou não será assim?!

F.T. – Eu não sei se será bem assim… Vamos esperar para ver. È aí que nós entramos, na medida em que temos de trabalhar para que tal não aconteça! Julgo que temos de nos esforçar por conseguir vender os vinhos melhor, alargar as nossas redes comerciais, consolidar e criar parcerias com os clientes e também com os fornecedores, produzir com muita qualidade, rentabilizar melhor os nossos produtos e valorizar mais o trabalho dos nossos associados/viticultores. Porque, temos que pensar no Douro das próximas décadas, temos que nos organizar e não deixar para amanhã o que podemos fazer hoje.

N.D. – Voltamos, novamente, a um problema que resulta do facto da grande maioria das Cooperativas do Douro não terem capacidade, nem estarem preparadas para enfrentar esse período que se avizinha… Há Cooperativas que já encerraram, outras mudaram de mãos e há outras que vivem asfixiadas com os sucessivos créditos à Banca. Que reacção se poderá esperar, então?

F.T. – Por isso mesmo é que têm que ser as Cooperativas mais sólidas a dar força às que, eventualmente, estarão menos bem. Em boa verdade, neste momento, há Adegas Cooperativas que não estão preparadas para esse “impacto”, porque não têm um Departamento Comercial organizado, ou por tantas outras razões, mas como é de conhecimento geral o Governo tem de alguma forma e bem forçado a essas concentrações. Essas Adegas vão, naturalmente, acabar por ser absorvidas pelas outras ou por estabelecerem acordos comerciais. O caminho vai sem duvida ser esse! Só consegue estar no Mercado quem tiver produto que lhe permita abastecer, em quantidade e qualidade, sem problemas, os clientes. Não podemos deixar de abastecer os clientes porque já não temos quantidade de vinho suficiente… É aí que entra a tal «Concentração de Cooperativas» de que falávamos anteriormente. Reparemos no seguinte: as 3 ou 4 Cooperativas Durienses que estão a vender bem (Caves Santa Marta, Caves Vale do Rodo e Favaios, entre outras), estão a crescer! E, com esse crescimento, vão necessitar de quantitativos maiores de produção, que ultrapassam a sua real capacidade. E a «Concentração» acabará por ser vista como um benefício! Repare que citei Cooperativas que neste momento, interagem em conjunto nas campanhas de promoção e venda no Mercado Externo e em provas de degustação no mercado nacional. No fundo, deixou de haver aquela rivalidade entre Adegas e passou a verificar-se uma situação em que se caminha de mãos-dadas com o mesmo objectivo: vender e divulgar o nome do Vinho do Porto e do Douro. E quanto mais nós crescermos e vendermos, melhor é para o Douro. É isto que o Douro tem que fazer!

N.D. – E quanto aos pequenos produtores-engarrafadores, alguns aliados ao Enoturismo, que cenário prevê? Aos que assegurarem qualidade, augura-lhes um futuro promissor e de continuidade no Mercado?

F.T. – Aos que tiverem qualidade? Claro que sim! Os produtores-engarrafadores têm o seu estatuto, têm quantidades limitadas e terão de saber escolher qual o nicho de Mercado onde irão actuar.
Eles também são uma parte importante deste todo que é o Douro e muitos deles têm feito um excelente trabalho. Em relação ao Enoturismo as Caves Santa Marta tem desenvolvido acordos com empresas de turismo, rotas de vinhos, Municípios, etc..que levou ao crescimento do número de visitas e é para nós um factor de satisfação.

Entrevista conduzida por Tiago Coelho Silva

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