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Edição de 04-12-2017
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Arquivo: Edição de 24-11-2006

SECÇÃO: Opinião

Falando de cinco Autores Transmontanos

Durante os meses de Verão chegaram-me novos livros de autores Transmontanos que é justo e oportuno referenciar, pela sua qualidade e interesse cultural e científico.
S. Julião de Serafão – mil anos de História, de Artur Ferreira Coimbra. Mestre em História das Instituições e Cultura Moderna e Contemporânea (UM), este Barrosão que montou quartel general em Fafe, tem vindo a afirmar-se figura de primeira grandeza no firmamento que o envolve. Homem que vai a todas as causas públicas, subiu a pulso, desde as Minas da Borralha, até à cidade que ajudou a construir e a engrandecer. A última demonstração desta incessante batalha pela Terra e pelas Gentes, chama-se S. Julião de Serafão – mil anos de História. Trata-se de um volume de formato 22 X 30. em capa dura e sobrecapa que mostra a sede religiosa (Igreja) com a ruralidade a servir de fundo, numa conjugação gráfica que honra a Labirinto que a produziu a Junta de Freguesia que a patrocinou. Nestas 372 páginas, ricamente ilustradas com mapas, fotos e gráficos, em papel atraente e acabamento que faz inveja às mais espampanantes monografias urbanas. Serafão, através da Junta de Freguesia teve essa louvável iniciativa. E Artur Coimbra que aos dois anos de idade, veio com os Pais, desde as Minas da Borralha (Montalegre), para essa milenar Comunidade de Serafão, onde aprendeu as primeiras letras de uma carreira académica que já toca as esferas do generalato. A primeira sensação com que se fica, mal se toma o peso e se aprecia a beleza gráfica deste calhamaço, é a estupefacção. Como é possível que uma simples freguesia que dista a 13 km da sede de concelho, encravada entre os concelhos de Guimarães e Póvoa de Lanhoso, na sub-região do Vale do Ave pode dar um volume desta grandeza editorial. Na introdução Artur Coimbra confessa-se: «este é o livro que eu sempre desejei escrever. Depois de ter publicado uma monografia sobre o concelho de Fafe e outras obras de investigação histórica, não podia deixar de dar a lume um tributo de homenagem à minha terra. Embora não tenha, episodicamente, nascido em Serafão, vim para esta terra com apenas dois anos e por isso me tornei cidadão desta freguesia, desde a mais terra idade». Depois seguem-se os factos de uma investigação monográfica a sério, cuja leitura nos convida a meditar nas origens da civilização, rural ou urbana, num país como o nosso com quase nove séculos de história. «Quem conhece um povo, conhece o mundo todo», diz o ditado. Os mil anos de História que ficam demonstrados nestas quase 400 páginas sobre Serafão, fazem bem à cultura de todos nós. Por isso se recomenda, com parabéns ao Autor

Moedas Romanas –achados no Alto Tâmega e Barroso. Traz o nome esclarecido de Fernando Cantista Pizarro Bravo, formato 24 X 30, capa dura. Quem sabe, sabe. E Fernando Bravo, homem de cultural geral anda, há muitos anos, no encalço de mais e mais achados que nos reaproximem da cultura romana. A medalhística e a numismática são aspectos parcelares que nos podem situar no tempo e no espaço relativamente a culturas que nos antecederam. Nenhum presente, para ser avaliado em toda a sua extensão, pode prescindir do passado. A civilização romana (e outras que antes e depois a cimentaram), não deve ser subestimada, antes desenvolvida para que melhor nos fortaleça. A Região do Alto Tâmega que compreende os concelhos de Chaves, Montalegre, Boticas, Valpaços e Ribeira de Pena foi campo de pesquisa e de inventariação que deu origem a este volume de grande qualidade gráfica que mereceu o apoio da Câmara de Chaves, e da Associação de Desenvolvimento da região do Alto Tâmega. Um livro para possuir e consultar.
Fogo Fátuo, metástases de infância, de Norberto do Vale Cardoso. Com a chancela das edições Ecopy chegou-nos de Chaves um – mais um - notável documento poético do Mestre em Teoria da Literatura e Língua Portuguesa (UM), Norberto do Vale Cardoso. Como subtítulo chama ao Fogo Fátuo «metáteses de infância». Metástase é um vocábulo grego e tem a ver com a mudança. Obviamente todos os homens sofrem as suas metamorfoses físicas e mentais, na transposição de um estádio a outro. E delas bem poucos fazem reflexões psíquicas que justificam os actos que fazem do emissor o epicentro que colhem eco no receptor. A comunicação é isso mesmo: a distância que vai de um pólo ao outro, do escritor ao leitor, do criativo ao sensitivo, do ser que ama à pessoa amada. É neste circuito que Norberto do Vale Cardoso se move e nos comove, neste Fogo Fátuo que cumpre em três tempos: a tinta de Fogo, o cuspidor de Fogo e o Filho do fogo. Nestes três actos da sua própria autognose o Poeta se revela e nos transporta ao «lume brando», em que se confessa: «Sento-me aqui / nesta eclusa / do meu silêncio, /entre os meus tempos». Norberto do Vale Cardoso, ao completar 30 anos de vida tem já um trajecto vitorioso. A amostragem das obras (em prosa e verso) que já publicou fazem dele um Autor a ter em conta. Fica o registo, com alto apreço.
Coração Dividido, colectânea poética de Alda Constança de Oliveira. Da Régua e com generoso prefácio do Dr.M.J. Martins de Freitas, recebemos um volume de 148 páginas deste «Coração Dividido». Quando se ama há que fazer opções. Por vezes difíceis. E essa dificuldade adivinha-se das palavras do prefácio quando nele se escreve: «Toda a obra de Alda Constança de Oliveira patenteia um forte apego à religião católica e está impregnada duma acentuada nostalgia às pessoas e aos lugares. Os afectos ao douro e a Coimbra sempre tiveram lugares cativos que permanecem neste seu sexto livro». E mais adiante: «quem conhece a autora pode avaliar como o seu coração balança entre um amor intenso à cidade de Coimbra(onde viveu 58 anos) e um amor de raiz ao Douro, onde nasceu e aonde regressou, sem nunca o ter esquecido». Eis a melhor justificação para este «Coração dividido» de Alda Constança de Oliveira.
Serões do Planalto, de Antero Neto. Chegou-nos de um Autor do Nordeste Transmontano (Mogadouro) esta voz prosaica tão cristalina como a água que ali brota do Planalto que serve de título ao volume de oito contos (episódios). É advogado, professor e autarca. E também homem de cultura. Estes Serões do Planalto comprovam. Cada episódio é uma lição de vida. Dessa vida transparente e sublime que o Povo Transmontano escreve em cada gesto, em cada saudação, em cada acto social. A leitura destas «estórias» vale pela certeza de que a vida desta Gente que protagoniza as afirmações estilísticas vale mais que o melhor discurso linguístico do presidente do hemiciclo parlamentar, onde e fazem as leis. É que aí prevalecem a hipocrisia, o pedantismo, a ânsia de mais poder. No linguarejar desta Gente que dialoga na pena do narrador, perpassam quase nove séculos de história heróica, de moralidade indestrutível, de vida exemplar.
Parabéns Antero Neto.
Por
Barroso da Fonte, Dr

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