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Arquivo: Edição de 31-03-2006

SECÇÃO: Cultura e Lazer

Um olhar ... sobre a Cultura

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O passado fim de semana ficou marcado pela intensa actividade cultural na região. Três delas chamaram-me em particular a atenção quer pelo impacto que criaram na região e no consequente envolvimento da própria comunidade, quer pela sua qualidade.
Começaria por referir o concerto realizado no passado dia 25, na Régua, no Auditório do IPTM, onde Alberto Mendonça, ao piano e Sandra Botelho, voz, solidários com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, fizeram com que esquecessemos por largos minutos, as agruras da vida, com um programa leve e doce, onde não faltaram temas de Rui Veloso, Caetano Veloso, Maria Betânia, entre outros. Este concerto reitera o que já referi, há tempos: primeiro, a falta de meios logísticos, nomeadamente instrumentos, obrigando, neste caso, a que o pianista se fizesse acompanhar do seu piano. O que me leva, mais uma vez, a reforçar a ideia da necessidade, quase imperiosa, por parte das autarquias em investirem na aquisição deste instrumento. Segundo, a inexistência de um Auditório, na Régua, para a realização deste ou de outros eventos culturais.

Não vale a pena estarmos agora a conjecturar sobre de quem é a culpa, de quem deveria ter feito ou porque não o fez. Uma cidade que se afirma como um marco turístico desta região Duriense, e que na realidade reúne todas as condições para o ser, deve pensar, e com a maior celeridade possível, em sê-lo em termos culturais. Até porque o turismo não é mais que um conjunto de factores culturais, geográficos e sociais.
E se o Salão Nobre da Casa do Douro, cuja imponência é indiscutível, e apesar de acusticamente possuir, em virtude da sua configuração arquitectónica, condições muito razoáveis, não cumpre todos os requisitos para eventos desta natureza, muito menos um Auditório como o do IPTM cuja finalidade, aquando da sua construção, foi a realização de conferências e ou palestras.
Daí a necessidade da autarquia começar a equacionar a construção de um Auditório, que não precisa de ser majestoso, nem tão pouco com uma capacidade de lugares que exceda os trezentos e muitos lugares, mas que reúna condições técnicas capazes de receber eventos culturais quer ligados à música, seja ela clássica ou tradicional, à dança e à arte cénica. Fica aqui o desafio e mais uma vez a minha admiração por este duo, Alberto Mendonça e Sandra Botelho, que mostraram que não são as barreiras arquitectónicas que impedem de se fazer cultura e muito menos de desenvolver a solidariedade, tantas vezes apregoada, mas tão poucas vezes conseguida.

O segundo evento teve lugar nos dias 24 e 25 e refiro-me concretamente à V Festa Ibérica, Festival Internacional de Tunas Universitárias de Trás-os- Montes e Alto Douro que se realizou no Teatro de Vila Real. Com organização da Transmontuna, que demonstrou mais uma vez estar à altura da realização de um certame desta envergadura, durante dois dias mais de um milhar de pessoas puderam sentir e viver com a salutar irreverência e alegria dos nossos estudantes, num convívio inter geracional que só estes jovens são capazes de promover. Para além da Tuna anfitriã actuaram ainda Magna Tuna Cartola, vinda de Aveiro, Tuna de Medicina do Porto, Tunadão 1998, vinda de Viseu, Intubotuna -Tuna Académica da Escola Superior de Enfermagem de Vila Real, Tuna Universitária do Minho, vinda de Braga, Tuna do Magistério de Ávila e Cuarentuna de Derecho de Valência, vindas de Espanha. Durante estes dois dias ouviu-se música da que melhor que se faz no mundo no académico. Foram vários os momentos em que o virtuosismo dos instrumentistas atingiu pontos de elevado nível técnico, por vezes esquecendo que estávamos perante jovens que fazem da música um dos elementos fundamentais que contribuem não só para a sua formação académica, mas também enquanto homens.

A Transmontuna aproveitou, ainda o evento para lançar o primeiro CD que é uma compilação do que melhor se ouviu na última edição deste Festival. Ficamos à espera da próxima edição, na esperança de que esta Festa ultrapasse os limites de Vila Real e se possa estender a outras cidades da região.

Finalmente uma nota para o encontro de Guitarristas no passado dia 24, no Auditório da Fundação Comendador Manuel Correia Botelho, onde cerca de três centenas de jovens guitarristas provenientes das Academias de Música de Fafe, Guimarães, Amarante e do Conservatório Regional de Música de Vila Real puderam trocar experiências e proporcionar ao público momentos musicais de muito bom nível.

Queiram ou não viver no interior deixou de ser sinal de ostracismo cultural. Dêem-nos os meios e as coisas acontecem.

Por José António Neves, Dr.
janeves@portugalmail.pt

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